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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Amacio Mazzaropi

O Puritano da Rua Augusta (1965)

Gênero: Comédia, ficção, 102 mim, livre - PeB

O Puritano da Rua Augusta, 18º filme de Amacio Mazzaropi, terceiro como diretor solo. Nesta película ele critica o fanatismo religioso, que banaliza a palavra pecado, maiôs, rock e a libertinagem são pecados combatidos por Mazzaropi e sua trupe.

Mazzaropi mesmo interpretando um rico industrial, mantém os trejeitos do Jeca Tatu, o caminhado, o sotaque e algumas piadas. Este filme deixa a deseja, foi classificado por muitos críticos como o pior filme preto e branco do Mazzaropi. Notamos logo no roteiro que eles têm razão, a película traz diálogos fracos e piadas de outros filmes do Amacio.

A direção do eterno Jeca cometeu vários erros, principalmente em relação à direção dos personagens secundários e figurante, além de terem participações fracas nos diálogos, eles parecem perdidos nas cenas.

O filme tem várias internas, e a fotografia incomoda, pois notasse sombras duras e em muitos momentos sombras duplas, além de utilizarem poucos planos de câmera. A montagem não segue a linha do primeiro filme analisado, como a fotografia e roteiro não conseguem acompanhar a genialidade do ator Mazzaropi, que é a grande atração a película traz para nós que aprendemos a gostar do cinema nacional.

Amacio Mazzaropi foi mais que um diretor, um ator, um produtor, roteirista. Mazzaropi foi um homem que sonhou com o cinema verde e amarelo como um cinema de qualidade, cinema de verdade, todo o empenho deste homem é uma dose de ânimo a todos que fazem cinema no Brasil.

Sinopse: Pai de família extremamente conservador deixa os filhos loucos com sua mania de manter a moral e os bons costumes sempre em primeiro lugar. Após sofrer um ataque do coração, nada mais vai ser como antes: ele passa a se comportar como um jovem outra vez, muda o cabelo, as roupas e até o gosto pela música.

Direção, produção e argumento: Amacio Mazzaropi
Assistente de Direção: John Doo
Roteiro: Alvim Barbosa, Amacio Mazzaropi
Fotografia:
Giorgio Attili
Câmera
: Geraldo Gabriel
Assistente de Câmera: Rosalvo Caçador

Foquista: Maciel Afonso Fraga

Engenheiro de Som:
Constantino Warnowsky
Assistente:
Alexandre Warnowsky
Microfonista
: Miguel Segatto
Montagem:
Mauro Alice
M
aquilagem: Maury Viveiros
Música:
Hector Lagna Fietta

Produtora e Distribuidora: PAM Filmes

Elenco : Amacio Mazzaropi, Marly Marley, Marina Freire, Elisabeth Hartman, Edgard, Henricão, Gladys, Julia Kovacs, Darla, Marlene Rocha, Carlos Garcia, Zéluiz Batista Pinho, Claudio Maria, Augusto César Ribeiro, Aristides M. Ferreira, Cleusa Maria, Etelvina dos Santos, Humberto Militello, Durvalino Simões, Sonia Maria dos Santos, João Batista de Souza, Celso F. Guizard.

Amacio Mazzaropi

A Tristeza do Jeca (1961)

Gênero: Comédia, ficção, 95 mim, censura livre - color

A Tristeza do Jeca, 13º filme de Amacio Mazzaropi, segundo como diretor solo. No ano de 1960 além do longa As Aventuras de Pedro Malasartes, Mazzaropi também dirigiu o Zé Periquito onde contou como Ismar Porto como co-diretor.

Em a Tristeza do Jeca, Amacio Mazzaropi, diretor, produtor, argumentista e ator, aborda um delicado problema que está impregnado na política nacional desde o início da republica, o voto de cabresto, o voto manipulado pelos coronéis e grandes fazendeiros. eles obrigam seus colonos a votarem no candidato que é escolhido por eles, utilização de ameaçãs e muittas vezes de violência para convencê-los a votar no candidato escolhido.

Mazzaropi encarna o personagem que ficou imortalizado, o Jeca Tatu, que não gosta de trabalhar e é muito bom de lábia, notasse que Mazzaropi inspirou-se no Pedro Malasartes na construção do personagem do Jeca.

O roteiro dessa película deixa desejar, em alguns momentos, o espectador se perde na história, alguns diálogos são fracos, o que mantém o público assistindo o filme é o carisma e piadas do personagem do Jeca.

A Tristeza do Jeca Traz uma fotografia muito parecida com As Aventuras de Pedro Malasartes, explorando de maneira magistral as paisagens, este filme notamos o uso de travelling em algumas cenas. Mas a montagem deixa não acompanha o nível da fotografia, alguns cortes não casam, além de mostrar erros de continuidade.

Como já foi dito o que fez e faz o público assstir este filme é o carisma de um dos maiores artistas do cinema nacional, Amacio Mazzaropi.

Sinopse:Dois políticos disputam a eleição e no vale tudo para angariar votos, tentam enganar os eleitores, simples pessoas do campo, usando o Jeca como cabo eleitoral. O problema é que o Jeca acaba fazendo campanha para os dois e as trapalhadas começam a acontecer resultando em divertidas confusões.

Direção, produção e argumento: Amacio Mazzaropi
Roteiro: Milton Amaral
Fotografia: Rodolfo Icsey
Eastmancolor: Osvaldo C. Kenemy
Câmera: Marcelo Primavera
Gerente: Antonio B. Tomé
Sonografia: Erico Rasmusen
Assistente: Constantino Warnowski
Microfonista: Miguel Segatto
Montagem: Mauro Alice
Cenografia: Silvio Dreos
Assistente: Franco Ceni
Maquilagem: Maury Viveiros
Música: Hector Lagna Fietta

Produtora e Distribuidora: PAM Filmes

Elenco: Mazzaropi, Geny Prado, Roberto Duval, Maracy Melo, Nicolau Guzzardi, Anita Sorrento, Eugênio Kusnet, Gilda Monte Alto, Augusto César Vanucci, Eucaris Moraes, Génesio Arruda, Irma Rodrigues, Carlos Garcia, Francisco de Souza, Mário Benvenutti, Edgar Franco, João Batista de Souza, Viana Junior, Durvalino Souza, João Mansur, Augusto César Ribeiro, Selmo Ferreira Diniz, Nilson Sbruzzi, Antonio Tomé, Agnaldo Rayol, Mário Zan, Domador: Antônio F. Valêncio, Toureiros: Guiomar Brandão, Tico-Tico, Carrapicho, Gaúcho, Perereca.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Amacio Mazzaropi

As Aventuras de Pedro Malasartes (1960)
Gênero: comédia, ficção; censura livre – PeB

O primeiro filme dirigido por Amacio Mazarropi, conta uma versão do famoso Pedro Malasartes um personagem que tem histórias espalhadas pelo folclore de vários países. É famoso por sua lábia e o seu “jeitinho”, o que o torna "o maior enganador das redondezas".


O filme se inici
a com os dizeres, “Esta história vai ser contada com todos os exageros d’um caboclo que quando conta um conto, acrescenta um ponto.” O que gera uma expectativa no pública, e ao longo da película, esta expectativa é superada e o resultado é muitos sorrisos. Cinquenta anos depois, o filme ainda trata de assuntos da atualidade, como crianças abandonas ou que fugiram de casa porque sofriam maus tratos e a esperteza, egoísmo e ganância dos ricos e poderosos.

Mazzaropi encarna através do personagem
Pedro Malasartes uma versão caipira de Hobin Hood, que passa para trás aqueles que estão acostumados a tirar proveito a inocência e humildade das pessoas, no filme suas “vitimas” são ricos fazendeiros, comerciante e um delegado e seu escrivão.

Ao assistir a película, alguns detalhes lembram o filme O Garoto (The Kid
– 1921) dirigido e estrelado por Charles Chaplin. O carinho e responsabilidade que Pedro cria pelas crianças abandonadas que o seguem é o principal motivo dos golpes, a principal preocupação de Pedro é conseguir alimentá-los e encontrar um colégio interno para que elas possam ter um lar e receber educação adequada. Numa de suas fugas com as crianças Pedro encontra um bebê deixando numa caixa com um bilhete, no qual “uma mãe aflita” pede que alguém cuide do filho dela. Todas as aventuras do nosso anti-herói resulta num julgamento no tribunal de uma pequena cidade, onde entre outros golpes, Pedro é acusado de dar maus exemplos e explorar as crianças. Ao ouvir isso as crianças saem em sua defesa, acrescentando uma carga drama ao filme, uma cena que emociona a todos, principalmente quando o personagem de Mazzaropi admite seus golpes, “Se eu fiz alguma coisa é porque eles tinham frio e tinham fome.”

O filme tem uma fotografia que explorou de maneira esplêndida as belezas do interior do Brasil, cenas com poucos planos de câmera, o que fez cada plano se tornar verdadeiras pinturas, os planos gerais fazem o espectador mergulhar num cenário natural digno de estar imortalizado em quadros.

A película explora de forma magistral os musicais, que foram usados nos filmes nacionais até a década de 90, principalmente nos filmes dos Trapalhões de da Xuxa. Os musicais que estão presentes no filme estão ligados diretamente ao ro
teiro, na sua grande maioria a letra da música descreve ou justifica as ações dos personagens.

O destaque sem duvida nenhuma é a atuação e direção do Amacio Mazzaropi, que com um humor saudável e inteligente e a experiência de teatro, televisão e 10 filmes possibilitou a concepção de um filme de extrema qualidade fotográfica e um roteiro que prende o público do início ao fim, e sempre deixa a vontade de ver de novo.

As Aventuras de Pedro Malasartes foi tão bem-sucedida que consolidou Mazzaropi como produtor, Produções Amacio Mazzaropi, PAM Filmes, além de marcar a estréia de um dos mais importantes diretores do cinema nacional.



Sinopse:
Após a morte de seu pai, Pedro Malasartes é passado para trás pelos seus irmãos e resolve sair sem rumo pelo mundo. No caminho encontra um grupo de crianças orfãs que não se desgrudam mais dele. Afeiçoado pelos pequenos, e em busca de abrigo e algo para comer, ele passa a aplicar golpes contando causos para tipos que acabam caindo na sua conversa e vão formando uma fileira de gente enganada em seu encalço, doidinhas para esganar o Pedro. Corre!!!!


Direção: Amacio Mazarropi
Ass. Direção: Agostinho Martins Pereira
Continuidade: José Soares
Argumento: Galileu Garcia
Roteiro: Osmar Porto e Marcos Cézar
Fotografia: Rodolfo Icsey
Operador de Câmera: George Pfister
Produção: Amácio Mazzaropi
Sonografia: Marcelo Primavera
Montagem: Máximo Barro
Cenografia: Franco Ceni
Construções: José Dreos
Direção musical: Hector Lagna Fietta

Produtora e Distribuidora: PAM Filmes
Estúdios: Vera Cruz (SP) e locações em Itu, interior de SP

Elenco: Mazzaropi, Geny Prado, Genésio Arruda, Dorinha Duval, Benedito Liendo, Nena Viana, Alvim Fernandes, Kleber Afonso, Nicolau Guzzardi, Noemia Marcondes, Augusto Machado de Campos, Oswaldo de Barros, Lourdes Lambert, Ernani de Almeida, Hermes Câmara, Wilson Rodrigues, Araken de Oliveira, Maury Viveiros, Maria de Lourdes, Marthus Mathias, Bonfiglio Campagnoli, Irene Kranis, Cecília Arantes Freitas, Marry Carlos, Francisco Souza, Hamilton Saraiva, José Soares, Penacho, Ventura Ferreira, Lana Bittencourt, Conjunto Farroupilha, Claudio de Barros.

Participação especial dos meninos: João Batista de Souza, Péricles de Almeida, Walter Fernandes, Paulo Roberto Felice, José Antonio Pinto Arantes, Durval Cézar Sampaio

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Amacio Mazzaropi


“Conte minha verdadeira história, a história de um cara que sempre acreditou no cinema nacional e que, mais cedo do que todos pensam, pode construir a indústria do cinema no Brasil. A história de um ator bom ou mau que sempre manteve cheios os cinemas. Que nunca dependeu do INC - Instituto Nacional do Cinema - para fazer um filme. Que nunca recebeu uma crítica construtiva da crítica cinematográfica especializada - crítica que se diz intelectual. Crítica que aplaude um cinema cheio de símbolos, enrolado, complicado, pretensioso, mas sem público. A história de um cara que pensa em fazer cinema apenas para divertir o público, por acreditar que cinema é diversão, e seus filmes nunca pretenderam mais do que isso. Enfim, a história de um cara que nunca deixou a peteca cair.”
Amacio Mazzaropi – Trecho extraído da revista Veja, 28/01/70

Amacio Mazzaropi nascido na cidade de São Paulo, em 9 de Abril de 1912, filho do imigrante italiano Bernardo Mazzaropi, e Clara Pereira, de origem portuguesa. Seus dotes artísticos afloram ainda na infância quando passava longas temporadas na cidade de Tremembé-SP onde o avô materno, o português João José Ferreira, tinha uma fazenda. João José era exímio violeiro e dançarino. Amacio acompanhava o avô que era animador de festas no bairro que morava.

Em 1919 Amacio volta para a capital paulista e ingressa no curso primário do Grupo Escolar do Largo de São José do Belém, onde se mostra com extrema facilidade para decorar poesias. Mazzaropi torna-se atração em apresentaçõ
es escolares e não esconde sua paixão pelo teatro e circo.

Com a morte do avô a Família Mazzaropi volta para Taubaté. O jovem Amacio não escondia a vontade de se tornar ator de circo, para tentar acabar com o fetiche dos palcos, seus pais o mandam para morar com
um tio em Curitiba. Em 1926, aos 14 anos, volta para São Paulo e foge com o Circo de La Paz, onde conheceu o famoso faquir Ferry, tornando seu auxiliar e no intervalo de suas apresentações conta piadas. Ferry consegue falsificar documentos e Mazzaropi passa a ter 19 anos, o que lhe possibilitou contar piadas picantes, fato que agradava e muito o público.

Em 1929, sem dinheiro abandona a vida de circo e volta para Taubaté onde trabalhou como tecelão da Companhia Taubaté Industrial. Mas a arte cada vez mais viva nas veias de Mazzaropi o levou novamente aos palcos em 1931, mas desta vez como diretor e ator no salão do Externato Sagrado Coração de Maria, do Convento de Santa Clara, em Taubaté. Um ano depois ele estréia na Troupe Carrara, com a comédia “A Herança do Padre João”. Em março de 32 estréia no Cine Tremembé uma das famosas trupes do interior do país. Mazzaropi passa a fazer parte da trupe e em novembro, ele se torna líder da nova companhia “Trupe Mazzaropi”. Amacio convence os pais a acompanhar a trupe e eles tornam atores e ajudam na administração. Em novembro de 44, morre Bernardo Mazzaropi, aos 56 anos.

O teatro leva Amacio ao rádio, em 1946 estréia na Rádio Tupi de São Paulo o programa Rancho Alegre, programa ao vivo que ia ao ar todos os domingos às 19h45, no auditório da rádio, no Sumaré. A produção e
ra de Cassiano Gabus Mendes e logo alcança grande audiência. Mazzaropi ganha cada vez mais espaço no rádio, e atua ao lado de grandes nomes da época, como Hebe Camargo, Linda Batista, Henricão e Rosa Maria. Em 1947 assina contrato com a Companhia Dercy Gonçalves e atua ao lado da famosa atriz.

O teatro levou ao rádio e o rádio o levou, 1950, a primeira emissora de televisão brasileira, a TV Difusora de São Paulo, canal 3, onde se tornou o primeiro humorista da TV brasileira, sendo patrocinado pela Philco, o primeiro patrocinador da TV brasileira. Em janeiro de 51, Mazzaropi participa do programa inaugural da TV Tupi do Rio, anunciado como “o maior caipira do rádio brasileiro”, o sucesso foi tamanho que ele ganha um horário, toda
quinta à noite. Mazzaropi trabalha na Rádio e TV Tupi de São Paulo e do Rio de Janeiro, além de shows em teatros.

Do teatro ao rádio, do rádio a TV, da TV ao cinema. Em 1951 os diretores Abílio
Pereira de Almeida e Tom Payne vêem Mazzaropi na TV e o chamam para um teste na Companhia Cinematografia de Vera Cruz, e aos 39 anos ele é escolhido para filmar “Sai da Frente. Sucesso” palavra que já fazia parte da vida de Amacio. Os estúdios de Vera Cruz passam por problemas financeiros. Depois de ter estrelado 8 filmes, aos 46 anos, Mazzaropi cria sua própria produtora, a Produções Amacio Mazzaropi – P.A.M Filmes. E com recursos próprios, após vender casa e carro para produzir “Chofer de Praça”, em 59 e no mesmo ano filma “Jeca Tatu”. Ainda em 1959 Mazzaropi aceita o convite do José Bonifácio de Oliveira, o famoso Boni, na época da TV Excelsior de São Paulo, para fazer um programa de variedades que ficaria no ar até 1962.

Em 1960, estréia como diretor no filme “As aventuras de Pedro Malasartes ”. Amacio Mazzaropi faleceu no dia 13 de junho de 1981, aos 69 anos. O Jeca, o diretor, o produtor, o ator de teatro e cinema, o homem que sempre acreditou em seus sonhos nos deixou uma herança de 32 filmes e uma forma de fazer humor do típico homem do interior do Brasil.